Os especialistas acreditam que a escassez de recursos econômicos e a falta de cultura estão diretamente relacionados ao desenvolvimento da obesidade e outras patologias associadas ao excesso de peso, como diabetes e doenças cardiovasculares.

Federico Sorigue, chefe do Serviço de Endocrinologia do Hospital Carlos Haya, em Málaga, diz que, em comparação com estudantes universitários que não têm estudos, são quatro vezes mais propensos a serem obesos, o que também aumenta o risco de sofrer de outras doenças.

Em comparação com estudantes universitários, as pessoas que não têm estudos têm até quatro vezes mais chances de serem obesas

Sorigue insiste que é, acima de tudo, um problema cultural relacionado à desigualdade social, e que a influência genética é mínima, e aponta que na Espanha o prognóstico a longo prazo não é bom porque o modelo de sociedade que temos, com um excesso de estilo de vida sedentário e crianças que não seguem um dieta equilibrada, não parece que mudará nos próximos anos.

Alfonso Leal, endocrinologista do Hospital Virgen del Rocío, em Sevilha, que presidiu o 36º congresso da Sociedade Andaluza de Endocrinologia e Nutrição (SAEN), realizada recentemente em Sevilha, concorda que o ambiente das pessoas (sua família e educação) e o acesso à cultura e suas possibilidades econômicas têm uma influência decisiva sobre a obesidade. E ressalta que pacientes obesos devem estar cientes de que além dos direitos terem obrigações, pois é demonstrado que as pessoas engordam porque comem mais do que precisam e não porque sofrem uma predisposição genética, por isso deveriam comer menos e se exercitar para Emagrecer.

Sorigue também é diretor do estudo nacional '[email protected]', que analisou 6 mil pessoas e mostrou que 13,8% têm diabetes, mas quase metade delas não sabia. Em relação à prevalência de obesidade em nosso país, segundo os dados revelados pelo estudo, atinge 28% da população adulta, embora seja distribuída de forma desigual em todo o território espanhol, sendo a Andaluzia, com 34% de obesos, a comunidade autônoma mais afetada por esse problema e, consequentemente, o diabetes, que tem uma prevalência de 15%.

Comida, saúde e cultura com Jean-Pierre Poulain (Setembro 2019).