Se a ingestão de cafeína durante a gravidez excede 300 mg por dia - o equivalente a três ou quatro xícaras - recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), afeta o peso do bebê ao nascer e também tem consequências negativas no desenvolvimento do cérebro, causando deterioração cognitivo que permanecerá durante a idade adulta.

Estudos anteriores já haviam encontrado essa relação, mas sem revelar o mecanismo pelo qual ela foi produzida. Agora, um grupo de cientistas internacionais realizou um estudo em ratos de laboratório, que identificou a molécula A2A -receptor de adenosina- como a chave principal deste processo.

Esta molécula, que desempenha um papel importante no desenvolvimento do cérebro das crianças, precisa migrar para certas regiões do cérebro para desempenhar sua função. De acordo com os resultados do estudo Antagonista de receptores de adenosina, incluindo a cafeína, altera o desenvolvimento do cérebro fetal em camundongos, a cafeína retarda a migração da A2A.

Exposição pré-natal à cafeína causada nos desequilíbrios metabólicos em camundongos que resultaram em intensa hiperatividade cerebral

Os pesquisadores observaram que a exposição pré-natal à cafeína nos camundongos causou desequilíbrios metabólicos que levaram a uma intensa hiperatividade cerebral, que poderia estar por trás do aumento nos casos de transtorno de déficit de atenção e hiperatividade, entre outros.

Segundo esses cientistas, os efeitos da cafeína no desenvolvimento cognitivo do feto poderiam ser comparados aos de substâncias tóxicas como a nicotina, o álcool ou a cannabis, e as repercussões poderiam variar de retardo no desenvolvimento do cérebro ou um QI mais baixo, até um risco aumentado de sofrer de transtornos mentais.

Os autores do estudo, apesar de admitirem que estudos são necessários para verificar se os efeitos nocivos da cafeína também ocorrem em humanos, recomendam que as gestantes consumam no máximo 200 mg de cafeína diariamente, limite ainda menor do que o recomendado pela OMS.

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