Ser bilíngue desde a infância influencia positivamente as funções da área frontal do cérebro à medida que envelhecemos, de acordo com os resultados de um estudo realizado nos Estados Unidos, que publicou "The Journal of Neuroscience".

O estudo envolveu pessoas que dominaram duas línguas desde que eram crianças e que foram comparadas com outras pessoas monolíngües. Os pesquisadores usaram imagens do cérebro dos participantes, que foram obtidas enquanto realizavam testes que avaliavam sua flexibilidade cognitiva.

Observou-se que os idosos bilíngues eram mais rápidos do que seus contemporâneos monolíngües quando realizavam o mesmo tipo de tarefas.

A pesquisa mostrou as diferenças existentes nos modelos de funcionamento neural entre pessoas bilíngües e monolíngües, e constatou que, embora o bilinguismo não tenha afetado a atividade cerebral de jovens, no caso dos idosos foi observado que os bilíngues eram mais rápidos que seus contemporâneos monolíngües ao realizar o mesmo tipo de tarefas.

Como John L. Woodard, autor do estudo, explica, este trabalho mostra que o fato de ter realizado atividades estimulantes cognitivas ao longo da vida resultou em uma melhora da função cerebral durante o envelhecimento.

Outros estudos já haviam apontado os benefícios do bilinguismo para a capacidade cognitiva do idoso. Por exemplo, o Instituto de Pesquisa Rotman de Toronto, no Canadá, descobriu que os bilíngües levaram até mais cinco anos para apresentar sintomas da doença de Alzheimer. De acordo com suas conclusões, isso não significa que o bilinguismo seja capaz de prevenir esse tipo de demência, mas que as pessoas bilíngües se adaptem melhor ao dano neurológico causado pela doença de Alzheimer.

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